O desenvolvimento tem um rosto
Os números, sabe-se, frequentemente são contrastantes. Consideremos a pobreza extrema no Terceiro e Quarto Mundos, aquela da “renda” de um dólar por dia. Alguns anos atrás foi calculado que, apesar das maciças transferências de ajuda por parte dos países ricos, em dez anos a quantidade desses pobres não diminuiu em cifras absolutas, aliás, era estimado um aumento de mais de cem milhões de pessoas, enquanto o percentual permanecia pouco inalterado por causa do crescimento demográfico.
Recentemente, um estudo do Fundo Monetário pôs em relevo como em toda a África subsaariana a pobreza esteja lentamente baixando também em percentual: mais de 47% da população era registrada como pobre em 1990, em 2001 tinha passado a 41% e, calculando as várias tendências, diminuirá para 37% em 2015. Números verdadeiros, com certeza, indicam evoluções diversas, até contrastantes. Certos acontecimentos, como o percurso da miséria ao progresso, permanecem por muito tempo indecifráveis.
Neste volume contamos uma história de desenvolvimento que não é feita de números. Eles também aparecem – desde as crianças ajudadas pelo Apoio a distância até as mães em dificuldade acolhidas na casa de Novosibirsk, assim como as referências ao quadro de declarações e regulamentos definido pelas instituições mundiais e no qual se reconhecem aqueles que atuam na cooperação internacional.
Mas experimentamos tornar o desenvolvimento decifrável de acordo com outro código. Neste volume vocês encontrarão antes de tudo fatos. Fatos que englobam pessoas – os singulares acontecimentos de singulares nomes que vivem em lugares geográficos precisos; e que traçam uma história de conjunto – como um percurso único capaz de aproximar as distâncias dos continentes e das décadas. Impossível dar sentido à idéia de “capital humano” se dentro dela não se delineiam os rostos da doente ugandense e do estudante paraguaio. Da mesma forma, falar de desenvolvimento permanece inexoravelmente abstrato sem se fazer uma visita a Novos Alagados ou às cooperativas agrícolas libanesas.
Portanto, as duas partes do presente volume não vivem uma sem a outra, aliás, podem ser realmente compreendidas somente como aprofundamento e desenvolvimento uma da outra. Lendo-as, vocês poderão visitar os lugares, encontrar os protagonistas e caminhar na companhia deles, escutar a reflexão do estudioso, compartilhar o juízo sobre temas mais decisivos para o bem comum do mundo no qual habitamos juntos.
A narração inteira contém, no seu pano de fundo, um itinerário que pode ser expresso assim: pessoa, educação, desenvolvimento; assim como o tempo nas partituras musicais, esses três “compassos” constituem a sua arquitetura escondida. Todo o trabalho descrito nessas páginas, seja projeto em campo ou elaboração intelectual, não ficaria de pé se não se apoiasse no ritmo deles. Porque a AVSI1 tenha adotado esse itinerário na sua ação em todo o mundo é justamente o que se descobrirá página após página.
O desenvolvimento tem um rosto
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